{"id":3196,"date":"2025-11-10T10:59:42","date_gmt":"2025-11-10T15:59:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pliniocorrea.com\/?p=3196"},"modified":"2025-11-10T10:59:59","modified_gmt":"2025-11-10T15:59:59","slug":"carlos-magno-pedra-angular-da-idade-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pliniocorrea.com\/?p=3196","title":{"rendered":"Carlos Magno, pedra angular da Idade M\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<table width=\"900\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"601\"><em><strong>Plinio Corr\u00eaa de Oliveira<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carlos Magno,<\/p>\n<p>pedra angular da Idade M\u00e9dia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>Santo do Dia, 30 de outubro de 1972<\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"205\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"848\"><strong>A D V E R T \u00ca N C I A<\/strong><\/p>\n<p>O presente texto \u00e9 adapta\u00e7\u00e3o de transcri\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o de confer\u00eancia do Prof. Plinio Corr\u00eaa de Oliveira a s\u00f3cios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e n\u00e3o foi revisto pelo autor.<\/p>\n<p>Se o\u00a0Prof.\u00a0Plinio Corr\u00eaa de Oliveira estivesse entre n\u00f3s, certamente pediria que se colocasse expl\u00edcita men\u00e7\u00e3o a sua filial disposi\u00e7\u00e3o de retificar qualquer discrep\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao Magist\u00e9rio da Igreja. \u00c9 o que fazemos aqui constar, com suas pr\u00f3prias palavras, como homenagem\u00a0a\u00a0t\u00e3o belo e constante estado de esp\u00edrito:<\/p>\n<p><strong>\u201cCat\u00f3lico apost\u00f3lico romano, o autor deste texto\u00a0\u00a0se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,\u00a0 por lapso, algo nele ocorra que n\u00e3o esteja conforme \u00e0quele ensinamento, desde j\u00e1 e categoricamente o rejeita\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>As palavras &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;Contra-Revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, s\u00e3o aqui empregadas no sentido que lhes d\u00e1 o Prof. Pl\u00ednio Corr\u00eaa de Oliveira em seu livro &#8220;<strong><a href=\"http:\/\/www.pliniocorreadeoliveira.info\/livros.asp\">Revolu\u00e7\u00e3o e Contra-Revolu\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong>&#8220;, cuja primeira edi\u00e7\u00e3o foi publicada no N\u00ba 100 de\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.pliniocorreadeoliveira.info\/artigoscatolicismo_1959.asp\">&#8220;Catolicismo&#8221;<\/a><\/strong>, em abril de 1959.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"848\">&nbsp;<\/p>\n<p>Temos uma ficha sobre Carlos Magno, do\u00a0(conceituado historiador J.B.)\u00a0Weiss\u00a0(de sua\u00a0&#8220;Hist\u00f3ria Universal&#8221;):<\/p>\n<p>&#8220;<em>Em 772, com 30 anos, Carlos tomou o governo do reino dos francos. Com raz\u00e3o Carlos se chamou Magno. Mereceu esse nome como general e conquistador, como ordenador e legislador de seu imenso imp\u00e9rio e como incentivador de toda a vida espiritual do Ocidente.<\/em><\/p>\n<p><i>&#8220;Por seu governo, as id\u00e9ias crist\u00e3s alcan\u00e7aram vit\u00f3rias sobre os b\u00e1rbaros. Sua vida foi uma constante luta contra a grosseria e a barb\u00e1rie, que amea\u00e7avam a Religi\u00e3o Cat\u00f3lica e a nova cultura que nascia.<\/i><\/p>\n<p><i>&#8220;Nada menos que 53 expedi\u00e7\u00f5es militares foram por ele empreendidas, a saber: dezoito contra os sax\u00f5es, uma contra a Aquit\u00e2nia, cinco contra os lombardos, sete contra os \u00e1rabes da Espanha, uma contra os tur\u00edngeos, quatro contra os \u00e1varos, duas contra os bret\u00f5es, uma contra os b\u00e1varos, quatro contra os eslavos, cinco contra os sarracenos da It\u00e1lia, tr\u00eas contra os dinamarqueses e duas contra os gregos.<\/i><\/p>\n<p><i>&#8220;No Natal do ano de 800, o Papa S\u00e3o Le\u00e3o III o elevou \u00e0 dignidade de Imperador, fundando assim a mais nobre institui\u00e7\u00e3o temporal da Cristandade, o Sacro Imp\u00e9rio Romano Alem\u00e3o. A 29 de fevereiro de 814, Carlos faleceu, depois de ter recebido a Sagrada Comunh\u00e3o. Foi enterrado, segundo a legenda, em um nicho da Catedral de Aix-la-Chapelle, em posi\u00e7\u00e3o ereta, sentado era um trono, cingido de espada e com o livro dos Evangelhos nas m\u00e3os.<\/i><\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 ele o modelo dos imperadores cat\u00f3licos, o prot\u00f3tipo do cavalheiro e a figura central da grande maioria das can\u00e7\u00f5es de gesta medievais<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p><em><strong>Na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, em Roma, alguns passos ap\u00f3s se adentrar pela nave central, pode-se admirar a famosa &#8220;rota porphyretica&#8221;, um grande disco de porf\u00edrio, um espl\u00eandido m\u00e1rmore vermelho-vinho. Sobre ela Carlos Magno foi sagrado Imperador pelo Papa S\u00e3o Le\u00e3o III, no Natal do ano 800.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando se fala de Carlos Magno, de seus feitos e de sua grandeza, n\u00e3o sei por que me vem \u00e0 id\u00e9ia a figura extraordin\u00e1ria de Mois\u00e9s, tamb\u00e9m com seus feitos e sua grandeza. Mois\u00e9s fundou a ordem no povo eleito, o qual era a pr\u00e9-figura da Cristandade. Ele foi quem recebeu a revela\u00e7\u00e3o dos Dez Mandamentos da Lei, quem conduziu o povo eleito at\u00e9 as portas da Terra Prometida, tirando-o do cativeiro e constituindo, assim, os elementos fundamentais para que o povo eleito se fixasse e dele viesse a nascer o Salvador.<\/p>\n<p><strong>Carlos Magno teve uma tarefa que, considerada em ess\u00eancia, foi an\u00e1loga \u00e0 de Mois\u00e9s<\/strong>. Ele tomou o povo cat\u00f3lico, que estava sujeito a uma servid\u00e3o iminente da parte dos piores advers\u00e1rios e, por uma luta tremenda, venceu a todos e estabeleceu os fundamentos da Civiliza\u00e7\u00e3o Crist\u00e3.<\/p>\n<p>Para nos darmos conta um pouco de qual foi a tarefa de Carlos Magno, \u00e9 preciso considerar as condi\u00e7\u00f5es de seu tempo.<\/p>\n<p>Os Srs. sabem que at\u00e9 o s\u00e9culo V de nossa era, o Imp\u00e9rio Romano do Ocidente cobria toda a Europa Ocidental. E, em linhas muito gerais, estendia as suas fronteiras desde o Reno e do Dan\u00fabio at\u00e9 Portugal, no sentido do ocidente; at\u00e9 a Inglaterra no sentido do norte, e at\u00e9 a It\u00e1lia no sentido do sul. Era, portanto, uma imensa unidade. Ainda mais imensa porque as vias de comunica\u00e7\u00e3o muito mais lentas naquele tempo do que no nosso, faziam com que fosse muito dif\u00edcil um imperador governar toda essa extens\u00e3o. De maneira que as dimens\u00f5es de um tal Imp\u00e9rio, calculadas em rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e1quina administrativa e pol\u00edtica que deveria mant\u00ea-lo uno, eram propor\u00e7\u00f5es verdadeiramente gigantescas.<\/p>\n<p>Esse Imp\u00e9rio foi derrubado pela avalanche dos b\u00e1rbaros. Estes, como os Srs. tamb\u00e9m sabem, eram arianos ou pag\u00e3os. O arianismo era uma heresia que pode ser vagamente comparada ao protestantismo. O ariano era t\u00e3o anti-cat\u00f3lico quanto o \u00e9 o protestante. Um bispo chamado \u00dalfilas, bispo ariano, tinha pervertido os pag\u00e3os b\u00e1rbaros para a religi\u00e3o ariana. De maneira que grande parte dos b\u00e1rbaros que invadiram o Imp\u00e9rio Romano (cat\u00f3lico) eram arianos que vinham com a inten\u00e7\u00e3o de impor sua religi\u00e3o. Outros eram pag\u00e3os e queriam impor o paganismo. Uns e outros eram b\u00e1rbaros. E como b\u00e1rbaros, eram incompat\u00edveis por h\u00e1bito, por psicologia, por tend\u00eancia natural, \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o. Eles se estabeleceram no Imp\u00e9rio Romano do Ocidente, e foram espandongando, querendo ou n\u00e3o querendo, a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os Srs. terem uma id\u00e9ia de como esses povos invasores eram realmente b\u00e1rbaros, basta dizer que em geral n\u00e3o compreendiam que se pudesse dormir dentro de casa, pois sentiam claustrofobia. Ent\u00e3o dormiam nas pra\u00e7as p\u00fablicas. Mas havia inclusive uma tribo b\u00e1rbara que sentia falta de ar em dormir na cidade. Ent\u00e3o, quando chegava a noite, mandavam abrir a porta da cidade e iam dormir no mato, porque na cidade tinham dificuldade de respirar. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer mais nada&#8230;<\/p>\n<p>Um problema muito grave que os b\u00e1rbaros se colocavam era se valia a pena se alfabetizarem. Com efeito, eles viam que os romanos eram alfabetizados, mas eram muito decadentes, corruptos e maus soldados. E achavam que a raz\u00e3o disso era a alfabetiza\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o tinham o maior desprezo ao homem que se alfabetizasse. O alfabetizado era mais ou menos o efeminado, em portugu\u00eas se diria hoje o \u201cmaricas\u201d. Os Srs. compreendem por a\u00ed as id\u00e9ias convulsionadas dessa gente.<\/p>\n<p>Quando os b\u00e1rbaros come\u00e7aram a se fixar sobre o solo europeu, e a impor sua tirania, verificou-se que no Imp\u00e9rio debandado ficou, entretanto, de p\u00e9 a Igreja. O Imp\u00e9rio Romano do Ocidente desapareceu, mas a Igreja com suas dioceses, com seus conventos etc., continuou de p\u00e9.<\/p>\n<p>Havia, ent\u00e3o, um ponto de salva\u00e7\u00e3o para tentar sair do abismo: era fortalecer a influ\u00eancia da Igreja e, por essa forma, reerguer-se da situa\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel em que a Europa tinha ca\u00eddo.<\/p>\n<p>Entretanto, ocorre nova cat\u00e1strofe. A Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica \u00e9 invadida por maometanos, por causa da moleza e do quinta-colunismo entre os ostrogodos que habitavam a Espanha. Esta ficou quase toda tomada, e a onda \u00e1rabe come\u00e7ou a invadir a Europa semi-romana e semi-b\u00e1rbara, a partir dos Pirineus.<\/p>\n<p>Os maometanos tomavam barcos, desembarcavam na It\u00e1lia, desembarcavam no sul da Fran\u00e7a e come\u00e7avam suas invas\u00f5es tamb\u00e9m. De maneira que esta chaga viva, que era a Europa daquele tempo, ainda come\u00e7ou a sofrer a pancadaria maometana.<\/p>\n<p>Foi nesse momento, em que tudo parecia perdido, que Deus suscitou esse homem extraordin\u00e1rio que foi\u00a0<strong>Carlos Magno<\/strong>. Um\u00a0<strong>homem que \u2013 a meu ver \u2013 foi um profeta<\/strong>. Quer dizer, um homem que realizou o reino de Deus, porque tinha os dons de compreender no que tal reino consistia e de conduzir outros a unirem suas vontades para essa realiza\u00e7\u00e3o. Tinha o dom \u2013 al\u00e9m do mais \u2013 de vencer, de derrubar os obst\u00e1culos que se opusessem a essa realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Carlos Magno era de uma fam\u00edlia que j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, cerca de duas gera\u00e7\u00f5es, tinha o reino dos francos. Essa fam\u00edlia \u2013 entretanto tamb\u00e9m ela dividida por guerras internas, lutas intestinas, etc. \u2013 tinha certo ascendente entre os francos e estes eram apenas um dos povos b\u00e1rbaros que havia na Europa.<\/p>\n<p>Carlos Magno, dirigindo os francos, fez uma s\u00e9rie de guerras, como os Srs. acabam de ouvir, cinq\u00fcenta e tantas expedi\u00e7\u00f5es militares em que espandongou os b\u00e1rbaros completamente. Depois tamb\u00e9m conteve o poderio maometano. E com isto ele recuou as portas da Historia. Quer dizer, a Historia parecia condenar irremissivelmente o povo latino a desaparecer sob a press\u00e3o germ\u00e2nica e a press\u00e3o maometana.\u00a0<strong>Carlos Magno salvou a latinidade. E salvando a latinidade, salvou a Cristandade<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>Carlos Magno, por Durer<\/i><\/b><\/p>\n<p>Esse homem que realizou esses feitos t\u00e3o extraordin\u00e1rios, era herc\u00faleo, segundo o descrevem. De alta estatura, de tra\u00e7os muito regulares e muito bem feitos, tendo conservado at\u00e9 a ancianidade alguma coisa de mo\u00e7o, mas ao mesmo tempo, no seu tempo de mo\u00e7o com qualquer coisa da maturidade da ancianidade;\u00a0<strong>quando mo\u00e7o, incutia respeito como se fosse um anci\u00e3o. E, no tempo de sua ancianidade, sabia infundir entusiasmo como se fosse um mo\u00e7o<\/strong>.<\/p>\n<p>Ele era um homem t\u00e3o am\u00e1vel, t\u00e3o gentil, que a legenda popular dizia que ao longo de sua barba branca, quando sorria nasciam flores e que a sua barba era toda florida. Era chamado \u201co rei da barba florida\u201d. Por a\u00ed os Srs. podem imaginar a\u00a0<strong>riqueza dessa personalidade: terr\u00edvel no combate<\/strong>\u00a0&#8211; os advers\u00e1rios quando sabiam que Carlos Magno estava numa frente de batalha, j\u00e1 tinham a metade da batalha perdida &#8211;\u00a0<strong>mas ao mesmo tempo t\u00e3o am\u00e1vel, t\u00e3o gentil, que os outros julgavam ver flores nascerem de sua barba<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>Carlos Magno encontra-se com o Papa Adriano I, nas proximidades de Roma, o qual lhe pede que venha em aux\u00edlio da Santa Igreja, assediada por inimigos<\/i><\/b><\/p>\n<p>Esse grande guerreiro foi ao mesmo tempo um grande formador de homens. Formou um conjunto de var\u00f5es, que passou para a Historia como o conjunto dos conjuntos, que foram os\u00a0<strong>Doze Pares de Carlos Magno<\/strong>.\u00a0<strong>Quando se fala de \u201cPar de Carlos Magno\u201d, se trata de uma rela\u00e7\u00e3o ideal.<\/strong>\u00a0<strong>Nunca\u00a0<\/strong>&#8211; na ordem temporal, bem entendido &#8211;<strong>\u00a0a rela\u00e7\u00e3o entre um chefe e seus s\u00faditos foi t\u00e3o nobre, t\u00e3o elevada, t\u00e3o forte, nunca a condi\u00e7\u00e3o de s\u00fadito foi t\u00e3o categ\u00f3rica, mas ao mesmo tempo comunicativa de tanta grandeza, quanto algu\u00e9m ser um Par de Carlos Magno<\/strong>.<\/p>\n<p>Entre Carlos Magno e seus Pares havia um andar, havia uma diferen\u00e7a. E de tal maneira ele era ele, que todos os Pares juntos n\u00e3o davam o que era Carlos Magno. Mas um seu Par de tal maneira era como que uma proje\u00e7\u00e3o de um aspecto de sua personalidade, que\u00a0<strong>um Par de Carlos Magno era como um seu filho e um seu embaixador<\/strong>, trazendo consigo toda a carlomanicidade que tinha, participando da majestade de Carlos Magno, da for\u00e7a, da grandeza&#8230; Eram outros ele mesmo, embora ele fosse inconfund\u00edvel.<\/p>\n<p>Nessa rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 precisamente a beleza do nexo que os unia entre si. De outro lado, um aspecto muito bonito a ser considerado era\u00a0<strong>a solidariedade desses Pares:<\/strong>\u00a0uma solidariedade\u00a0<strong>sem orgulho, sem inveja, que visava apenas o servi\u00e7o do Imperador<\/strong>.\u00a0<strong>E, em seu servi\u00e7o, a Causa da Civiliza\u00e7\u00e3o Crist\u00e3. Portanto da Igreja Cat\u00f3lica&#8230; Portanto de Nossa Senhora&#8230; e portanto de Nosso Senhor Jesus Cristo no mais alto dos C\u00e9us!<\/strong>\u00a0Por isso eles eram intimamente unidos entre si.\u00a0<strong>\u00a0O modelo ideal da amizade nobre, forte, varonil, despretensiosa e leal \u00e9 a que reuniu os Pares de Carlos Magno<\/strong>.<\/p>\n<p>Por causa disso, por uma tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 em muitos pa\u00edses da Europa, a alta nobreza procurou tomar o t\u00edtulo de Par: \u201cPar do Reino\u201d, no Reino Unido; \u201cPar do Reino\u201d, na Fran\u00e7a&#8230;\u00a0<strong>Era uma c\u00f3pia da rela\u00e7\u00e3o de Carlos Magno com seus Pares, de tal maneira era a personifica\u00e7\u00e3o de toda a perfei\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es com os s\u00faditos<\/strong>,\u00a0<strong>que elevava \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de filhos<\/strong>\u00a0e de outros ele mesmo, embora os mantivesse, ao mesmo tempo, claramente na posi\u00e7\u00e3o de s\u00faditos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Carlos Magno, com seus principais pares, recebe Alcu\u00edno que lhe apresenta manuscritos realizados por seus monges. Jean-Victor Schnetz, 1830, museu do Louvre, Paris<\/strong><\/em><br \/>\nEsse homem \u2013 de uma piedade acendrada \u2013 era ao mesmo tempo analfabeto&#8230; Esse analfabetismo nos mostra muito qu\u00e3o pouca coisa \u00e9 esse aprender a ler e escrever apenas. H\u00e1 um v\u00edcio para os que aprendem a ler e escrever que consiste na\u00a0<strong>equivocada id\u00e9ia de que o pensamento come\u00e7a no livro<\/strong>. Segundo tal concep\u00e7\u00e3o, quando o sujeito se disp\u00f5e a pensar qualquer coisa, o primeiro passo seria comprar um livro para ler algo a respeito do assunto a fim de poder pensar sobre o que leu&#8230;<\/p>\n<p>Mas Carlos Magno, que n\u00e3o sabia ler nem escrever, sabia pegar as coisas por outro lado. E tinha uma tal no\u00e7\u00e3o das coisas, uma tal intelig\u00eancia que organizou a instru\u00e7\u00e3o em todo o seu Imp\u00e9rio, chamando homens como Alcu\u00edno, capazes de servir para ele como uma esp\u00e9cie de \u201cMinistro da Cultura\u201d&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3. Havia Conc\u00edlios de Bispos em que estava presente. Via os Bispos decidirem, pois a esses cabe decidir nos assuntos da Igreja. Sem embargo do que Carlos Magno fazia uso da palavra, entrando nos debates teol\u00f3gicos que eram travados e, em geral, fazia-o com sucesso. Era ele que tinha a f\u00f3rmula teol\u00f3gica certa, apesar de que fosse um homem que n\u00e3o passara por Semin\u00e1rios. Os Srs. compreendem o que era um var\u00e3o desses&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Est\u00e1tua de Carlos Magno na bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, Vaticano, Agostino Cornacchini, 1725<\/p>\n<p><strong>Ele foi o muro da Igreja, o arrimo da Igreja, a gl\u00f3ria da Igreja, o filho da Igreja.<\/strong>\u00a0<strong>N\u00e3o invadiu os direitos da Igreja, respeitou Sua soberania, reconheceu-Lhe todo o poder. E, por causa disso, a Igreja tamb\u00e9m o coroou<\/strong>.<\/p>\n<p>Todo mundo sabe o lind\u00edssimo fato de que no ano de 800 ele se achava na primeira bas\u00edlica papal, ou seja na ent\u00e3o igreja de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o (hoje Bas\u00edlica), em Roma, genuflexo, rezando antes de o Papa entrar para celebrar a Missa de Natal. Quando o Sumo Pont\u00edfice ingressou, veio trazendo uma coroa de ouro e, na pessoa de Carlos Magno reconstitu\u00eda o Imp\u00e9rio Romano esboroado, proclamando-o Imperador. O povo aclamou: &#8220;Viva Carlos Magno, nosso Imperador!&#8221; Estava restaurado assim o Imp\u00e9rio Romano, que haveria de durar cerca de mil anos.<\/p>\n<p>Esse gesto \u00e9 lind\u00edssimo! \u00c9 a Igreja reconhecendo e coroando na terra aquele que Deus por certo ter\u00e1 coroado no C\u00e9u.<\/p>\n<p><strong><em>A sagra\u00e7\u00e3o de Carlos Magno como Imperador pelo Papa S\u00e3o Le\u00e3o III. Iluminura de Jean Fouquet<\/em><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m outro aspecto bonito a ser considerado: o poder de um Papa! O Imp\u00e9rio Romano \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que n\u00e3o nasceu dos Papas. O senado romano foi quem criou a grandeza romana e os imperadores romanos nasceram da decad\u00eancia da rep\u00fablica romana, uma institui\u00e7\u00e3o pag\u00e3, portanto, mas que se cristianizou com Constantino. O Papa se julgava e estava no poder de recompor o Imp\u00e9rio Romano. Recomp\u00f4s e fundou o Sacro Imp\u00e9rio Romano, ou seja, o Imp\u00e9rio Romano Sagrado, feito para a defesa da F\u00e9.<\/p>\n<p>Nessa noite de Natal, Pedro acabava de forjar para si um gl\u00e1dio de ouro, que era o Sacro Imp\u00e9rio Romano Alem\u00e3o, com a miss\u00e3o de defender a F\u00e9 por toda a Cristandade&#8230;<\/p>\n<p>Maravilhas, belezas! Elas nos lembram dias t\u00e3o diferentes dos que hoje vivemos. Mas\u00a0<strong>h\u00e1 certos ideais que nunca morrem, porque s\u00e3o diretamente deduzidos da F\u00e9, e s\u00e3o imortais como a F\u00e9!\u00a0<\/strong>E quando se ouve narrar fatos desses, a gente compreende que a Historia do mundo n\u00e3o pode terminar simplesmente numa derrota de Deus. Tem que haver uma monumental desforra. E a Revolu\u00e7\u00e3o gn\u00f3stica e igualit\u00e1ria tem que ser derrotada de maneira a se constituir o Reino de Maria, para o qual o mundo foi criado. O mundo foi criado por Deus para que, em determinado momento, o reino dEle sobre o mundo fosse pleno. \u00c9 preciso que isto se realize.<\/p>\n<p><strong>Temos ent\u00e3o da recorda\u00e7\u00e3o desses fatos uma esperan\u00e7a no futuro<\/strong>, e aquilo constitui &#8211; usando a express\u00e3o norte-americana que achei t\u00e3o boa &#8211; um \u201canacronismo criativo\u201d. Nada de mais anacr\u00f4nico do que o Imp\u00e9rio de Carlos Magno, mas \u00e9 um anacronismo criador.\u00a0<strong>A lembran\u00e7a desse Imp\u00e9rio cria a esperan\u00e7a de um futuro, cria a certeza de um futuro. N\u00f3s caminhamos para a restaura\u00e7\u00e3o daquela ordem de que Carlos Magno foi um s\u00edmbolo<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><em>O Prof. Plinio venera o trono de Carlos Magno, por ocasi\u00e3o de sua viagem a Aachen (Aix-la-chapelle), em outubro de 1988<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Podemos pedir a Carlos Magno que reze por n\u00f3s. Nem todos os epis\u00f3dios da vida de Carlos Magno s\u00e3o inteiramente claros. A Igreja n\u00e3o se pronunciou bem exatamente sobre se ele \u00e9 santo ou n\u00e3o. Mas, em certas regi\u00f5es da Europa, por costume se festeja uma festa do \u201cbem-aventurado Carlos Magno\u201d. No tempo do Papa \u00a0Bento XIV (s\u00e9c. XVIII), os antepassados dos progressistas tomados de zelo &#8211; porque nessas horas os progressistas t\u00eam zelo&#8230; &#8211; quiseram abolir a festa de Carlos Magno. E Bento XIV lan\u00e7ou um Breve no qual declarava que nos lugares onde Carlos Magno era cultuado como bem-aventurado, tal culto podia continuar.<\/p>\n<p>Podemos, portanto, na noite de hoje, se n\u00e3o de um modo p\u00fablico ao menos no interior de nossas almas,\u00a0<strong>pedir a Carlos Magno que nos d\u00ea essa for\u00e7a invenc\u00edvel para colaborarmos com a funda\u00e7\u00e3o do Reino de Maria, assim como ele fundou a Idade M\u00e9dia, da qual foi a pedra angular<\/strong>.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o do Santo do Dia de hoje.<\/p>\n<p>(Aparte: A respeito da devo\u00e7\u00e3o a Carlos Magno, vem a prop\u00f3sito lembrar o que dizia Santa Joana d&#8217;Arc: a miss\u00e3o dela se devia \u00e0s ora\u00e7\u00f5es de \u201cMonseigneur S\u00e3o Lu\u00eds e Monseigneur S\u00e3o Carlos Magno\u201d&#8230;).<\/p>\n<p>N\u00e3o pode haver coisa mais bonita! Tanto mais quanto Santa Joana d&#8217;Arc recebia revela\u00e7\u00f5es do C\u00e9u e saberia bem onde estariam \u201c<em>Monseigneur<\/em>\u00a0S\u00e3o Lu\u00eds e\u00a0<em>Monseigneur<\/em>\u00a0S\u00e3o Carlos Magno\u201d, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o, digamos como Santa Joana d&#8217;Arc: Monsenhor S\u00e3o Lu\u00eds e Monsenhor S\u00e3o Carlos Magno, rogai para que acabe com a Revolu\u00e7\u00e3o gn\u00f3stica e igualit\u00e1ria e que venha logo o\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.pliniocorreadeoliveira.info\/Cruzado0705.htm\">Reino de Maria<\/a><\/strong>!<\/p>\n<p><em><strong>Desenho do monumento localizado junto \u00e0 pra\u00e7a em frente a Notre-Dame, em Paris, representando Carlos Magno ladeado por seus pares Roland e Olivier<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Fuente: Pliniocorreadeoliveira.info<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Plinio Corr\u00eaa de Oliveira &nbsp; &nbsp; Carlos Magno, pedra angular da Idade M\u00e9dia &nbsp; &nbsp; &nbsp; Santo do Dia, 30 de outubro de 1972 &nbsp; A D V E R T \u00ca N C I A O presente texto \u00e9 adapta\u00e7\u00e3o de transcri\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o de confer\u00eancia do Prof. Plinio Corr\u00eaa de Oliveira a s\u00f3cios<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":3198,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-3196","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-escritos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3196"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3197,"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3196\/revisions\/3197"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pliniocorrea.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}